Dislexia na Alemanha

 

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Acabo de ler agorinha mesmo um bom artigo (em Português) sobre dislexia e discalculia de uma renomada pedagoga brasileira especialista no assunto. O que li foi muito interessante, mas ficou claro que há muitas diferenças como se vê e se trata na prática estas características especiais na escola aqui (Brasil) e na Alemanha. Primeiro que dislexia/legastenia e discalculia são problemas bastante conhecidos e reconhecidos no sistema escolar alemão.  A criança com dislexia é rapidamente reconhecida nos primeiros dois, três anos  de alfabetização pela professora.

O seguinte passo é passar por um psicólogo que vai confirmar esta característica. Uma vez confirmada, esta criança passa a ter compensações nas suas notas por todo seu período escolar (se for constatado um grau leve do problema, testes serão feitos de tempos em tempos). Ou seja, a criança dignosticada com dislexia passa a não ter notas nas provas de ortografia e gramática. Aliás para evitar o constrangimento da criança, esta nem é obrigada a escrever tais provas. As avaliações de compreensão de texto podem ser oral e da redação é avaliada somente a estrutura, criatividade e estilo do texto, sem levar em conta a ortografia e sem muita rigidez na gramática. Isto é oficial!

Paralelamente  para todas estas crianças o governo paga cursos estatais ou particulares de apoio ao problema durante um certo tempo. E mesmo assim nenhuma mãe alemã que tem um filho com dislexia diz que a vida escolar dele é fácil. Mesmo com toda esta estrutura e apoio por parte da escola, ainda há muitos problemas de ordem prática. As instituições montessorianas estão repletas de crianças com dislexia e discalculia, pois de acordo com esta pedagogia o aluno é mais livre, sem destacar seu problema a todo momento, ela tenta em primeira linha ver os talentos da criança e não o  seu lado frágil.

No caso da criança superdotada que tem dislexia toda norma se desfaz. No artigo da especialista que li quase agora, ela afirma que crianças com esta característica demoram mais para falar, não se articulam tão bem, seu discurso oral não é tão fluente…Posso afirmar com toda a segurança que isto não se aplica ao superdotado dislexo!

Estas crianças não demoram mais a falar, se articulam extremamente bem e fluente, tem um vocabulário acima do normal…o problema se mostra somente na escrita e leitura! Que expliquem os especialistas. Mas fato é que alguma coisa acontece com o cérebro deles, que eles conseguem burlar a maioria de suas dificuldades na dislexia. Alguns cientistas afirmam que o número de conexões dos neurônios é tão maior, que eles conseguem achar um maior número de estratégias para burlar a dislexia. Não é fascinante?

Eu tive um aluno há poucos anos atrás, uma criança de 10 anos, que me encantava com suas idéias filosóficas de direitos humanos e abstrações musicais… Ele era legastênico. Um ano mais tarde ele foi para uma escola especializada em humanas onde ele aprendia latin, alemão, inglês e françês. Claro que com descontos na ortografia…Para se pensar não?!

Simone Clemens, pedagoga montessoriana pela associação Montessori de Aachen/Alemanha  e especialista em Superdotação infantil e na adolescência pela IFLW/Alemanha

 

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Um comentário em “Dislexia na Alemanha”

  1. Simone, amei suas explicações, eu estava procurando definições sobre legastenia e encontrei sua postagem…olha aqui onde noro e trabalho os professores são incompreensivos com as crianças que apresentam qualquer comportamento diferente do esperado por eles..eu estou sempre na defesa dos pequenos, pois sou formada em Português, Pedagogia e Pscopedagoga, mas não tem sido fácil, ver alunos que tem TDAH e outros problemas serem reprovados pelo simples fato de os peofessores não estudaram suficiente para compreender as características diversas. Só eu sei o quanto sofri em ver meus alunos reprovados pelo conselho que nada sabe, sobre reseito ás características da criança.

    Um grande abraço

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